Toda vez que alguém me pergunta se vale pagar mais pelo monitor ou jogar esse dinheiro numa GPU melhor, minha resposta é a mesma: depende de qual monitor. A Samsung parou de vender “um” Odyssey há um tempo. Hoje é uma escada inteira, e cada degrau resolve um problema específico que o de baixo não resolve.
Esse texto cobre cinco modelos dessa escada, do mais acessível ao mais avançado. Ficha técnica completa, pra quem cada um faz sentido, e os termos técnicos explicados no meio do caminho, sem assumir que você já sabe o que é Hz, painel VA ou curvatura 1000R.
O que você vai encontrar aqui:
O que muda de verdade entre um monitor e outro?
Dois números decidem praticamente toda comparação de ficha técnica de monitor gamer.
Taxa de atualização (Hz) é quantas vezes por segundo a tela desenha uma imagem nova. 60Hz atualiza 60 vezes por segundo, 240Hz atualiza 240 vezes. Quanto maior o número, mais suave o movimento parece pro olho: uma virada de câmera brusca em CS2 ou Valorant fica menos engasgada.
Tempo de resposta (ms) é o tempo que um pixel leva pra trocar de cor. Quanto menor, menos rastro visual (“ghosting”) fica atrás de quem se move rápido na tela. Existem duas formas de medir isso, e elas não são comparáveis direto. GtG mede a troca entre tons de cinza e costuma ser o número mais honesto. MPRT usa outra metodologia, apoiada em técnicas de backlight que tendem a deixar o número menor do que a velocidade real do painel.
Tem mais duas siglas que aparecem em praticamente todo Odyssey: G-Sync (NVIDIA) e FreeSync (AMD). As duas sincronizam a taxa de atualização do monitor com a taxa de quadros que a placa de vídeo está entregando naquele instante. Sem essa sincronia, sobra “screen tearing”, quando a imagem rasga na tela porque o quadro novo chega no meio do desenho do anterior.
Qual é a diferença entre painel VA, IPS e OLED?
Os cinco monitores desta lista passam por três tecnologias de painel diferentes, e entender a diferença ajuda a decidir antes mesmo de olhar o preço.
VA e IPS são variações de LCD: uma luz de fundo (backlight) ilumina uma camada de cristal líquido que filtra essa luz pra formar cor. VA tende a contraste mais alto, com preto mais profundo. IPS tende a cor mais fiel e ângulo de visão mais largo. Nos dois casos, sempre escapa um pouco de luz mesmo no preto, o que limita o contraste máximo possível.
OLED joga fora a luz de fundo. Cada pixel gera a própria luz e pode apagar de verdade. O resultado é preto absoluto pixel a pixel, contraste praticamente infinito, e tempo de resposta muito mais rápido, porque não existe cristal líquido lutando pra mudar de cor. É essa característica física que permite as taxas de atualização mais altas desta lista. Quando aparece o sufixo QD antes de OLED, significa Quantum Dot: uma camada de pontos quânticos sobre o painel que amplia a gama de cor reproduzível e o brilho de pico.
| Modelo | Painel | Resolução | Taxa de atualização | Tempo de resposta | Curvatura |
|---|---|---|---|---|---|
| Odyssey G5 | VA | QHD | 165Hz | 1ms (MPRT) | 1000R |
| Odyssey OLED G5 | QD-OLED | QHD | 180Hz | 0,03ms (GtG) | Plana |
| Odyssey OLED G6 | QD-OLED | QHD | 500Hz | 0,03ms (GtG) | Plana |
| Odyssey 3D | IPS | 4K UHD | 165Hz | 1ms (GtG) | Plana |
| Odyssey OLED G9 | OLED | Dual QHD (32:9) | 240Hz | 0,03ms (GtG) | 1800R |
Odyssey G5: QHD curvo como porta de entrada
A Samsung renovou esse modelo em fevereiro de 2025, trocando o antigo painel IPS por um VA com curvatura mais acentuada (de 1500R para 1000R) e contraste mais alto (de 1.000:1 para 2.500:1). É o lançamento que uniu resolução QHD, curvatura de verdade e taxa de atualização competitiva fora da faixa de painel OLED.
A curvatura 1000R indica o raio da curva: se você completasse o círculo formado por ela, ele teria 1.000mm de raio. Número menor, curva mais acentuada. A Samsung defende esse raio como o mais próximo do campo de visão natural do olho humano, o que reduz a necessidade de virar a cabeça pra acompanhar ação na borda da tela. Isso conta mais em mundo aberto e simulador de corrida; em FPS tático, onde a atenção já fica concentrada no centro da tela, o ganho é mais sutil.
A resolução QHD (2560×1440, também chamada de 2K ou WQHD) tem densidade de pixel 1,7 vezes maior que Full HD. Textura, HUD e detalhe de cenário ficam mais nítidos na mesma distância de tela, e em troca a placa de vídeo precisa entregar mais quadros pra manter a taxa de atualização alta.

Odyssey G5
Odyssey OLED G5: a entrada pro universo OLED
Lançado em maio de 2026, esse modelo reduz a distância entre o painel VA do G5 e a tecnologia OLED que até então só aparecia nos modelos mais avançados da linha. A Samsung posiciona como o ponto de entrada pra quem quer experimentar OLED gamer sem pular direto pro topo de linha.
Comparado ao G5 de painel VA, a diferença prática é a troca de tecnologia inteira: contraste estático sobe de 2.500:1 pra 1.000.000:1, e o tempo de resposta cai de 1ms MPRT pra 0,03ms GtG. No papel, soa como “mais um número de Hz”. Na prática, é o tipo de salto que em qualquer outra linha do mercado normalmente custaria muito mais caro.
Esse modelo também traz a tecnologia Glare Free, herdada das TVs OLED da própria marca: uma camada antirreflexo que reduz o reflexo de luz do ambiente sem borrar a imagem como filme antirreflexo tradicional costuma fazer.

Odyssey OLED G5
Odyssey OLED G6 500Hz: o primeiro OLED nessa velocidade
Lançado em setembro de 2025, esse foi o primeiro monitor com painel OLED operando nativamente em 500Hz, segundo a própria Samsung, antes de qualquer concorrente chegar nesse número. É o ponto em que a linha deixa de ser “monitor muito bom” e entra em outra categoria de produto.
Comparado ao Odyssey OLED G5, esse modelo mantém o mesmo painel QD-OLED em QHD, mas eleva a taxa de atualização de 180Hz pra 500Hz e adiciona certificação HDR mais robusta (True Black 500 em vez do HDR10 puro), além de validação Pantone formal de cor e mais de 2.100 tons reproduzidos com precisão. É a mesma base tecnológica, otimizada ao limite.
No papel, 500Hz chama atenção de cara. Na prática, a diferença pra 240Hz ou pros 180Hz do OLED G5 só fica nítida pra quem já joga em nível competitivo, com hardware capaz de sustentar esse tanto de quadro de forma consistente.

Odyssey OLED G6
Odyssey 3D: jogar em três dimensões sem óculos
Lançado em maio de 2025, em evento realizado em São Paulo, esse é o modelo mais fora da curva de toda a linha: mostra profundidade tridimensional real sem exigir óculos especial nenhum. O protótipo tinha aparecido na Brasil Game Show de 2024.
O monitor usa uma câmera embutida que rastreia a posição dos olhos de quem está em frente à tela, em tempo real. Com base nessa posição, um algoritmo ajusta a perspectiva e a profundidade da imagem projetada por lentes lenticulares na frente do painel, a mesma família de tecnologia dos cartões postais 3D antigos, só que recalculada centenas de vezes por segundo conforme a posição muda.
Diferente dos outros quatro desta lista, esse modelo volta ao painel IPS e à resolução 4K, sem curvatura. A prioridade técnica aqui não é taxa de atualização extrema nem contraste de painel, é a fidelidade de imagem necessária pra sustentar o efeito de profundidade sem perder nitidez.
Pra aproveitar a conversão de vídeo 2D para 3D via IA, a Samsung recomenda placa NVIDIA RTX 3080 ou superior, e a lista de jogos com suporte nativo é curada pelo app Odyssey 3D Hub. Como o sistema depende do rastreamento ocular de uma única pessoa, mais de um espectador olhando direto pra tela ao mesmo tempo pode gerar sensação de tontura.

Odyssey 3D
Odyssey OLED G9: a tela de 49″ que muda o que “imersão” significa
Lançado em março de 2026, é o modelo mais avançado desta lista, e o tipo de monitor que faz sentido alguém nunca ter cogitado até ver a ficha técnica completa.
O número que define esse monitor é a proporção 32:9, que a Samsung chama de Dual QHD porque equivale a dois monitores QHD de 27″ colados lado a lado, sem moldura dividindo a imagem no meio. A resolução 5120×1440 confirma isso: é o dobro horizontal exato da mesma resolução QHD que aparece nos outros três modelos OLED desta lista. Em jogo que suporta ultra-wide de verdade (simulador de corrida, estratégia, mundo aberto), o campo de visão periférico que isso abre muda a experiência por completo.
A curvatura sobe pra 1800R, um raio maior que o 1000R do Odyssey G5, o que parece contraditório à primeira vista, já que número maior costuma significar curva mais suave. A explicação está na proporção da tela: numa tela tão larga, curvatura muito acentuada distorceria demais a borda extrema. 1800R foi calibrado especificamente pro formato 32:9 manter a sensação envolvente sem parecer que a imagem está dobrando nas pontas.
Esse modelo OLED substitui uma versão anterior da família G9 com painel VA, e o salto entre gerações é generoso: taxa de atualização sobe de 144Hz pra 240Hz, tempo de resposta cai de 1ms pra 0,03ms, cobertura de cor sobe de 92% pra 99% do espaço DCI, e o HDR evolui de DisplayHDR 600 pra certificação True Black 400, específica pra painel OLED.

Odyssey OLED G9
Quem deve comprar e quem pode esperar
O Odyssey G5 faz sentido pra quem já tem placa de vídeo de gama média, como uma RTX 4060 ou equivalente AMD, e quer dar o salto de Full HD pra QHD com curvatura de verdade, sem decidir ainda se vale migrar pra OLED. Quem joga RPG, mundo aberto ou simulação tende a notar mais o ganho da curva do que quem joga FPS competitivo.
O Odyssey OLED G5 é a escolha de quem já decidiu que quer painel OLED no setup, mas não precisa da taxa de atualização extrema dos modelos mais avançados. Atende bem tanto quem joga competitivo quanto quem prioriza single-player e quer aproveitar o contraste real do OLED nos dois cenários.
O Odyssey OLED G6 500Hz é pra jogador competitivo de verdade: equipe de e-sports, criador de conteúdo de FPS de alto nível, alguém com hardware capaz de sustentar esse tanto de quadro de forma consistente. Pra quem joga casual, o salto de qualidade visual do próprio OLED já justifica outro modelo da lista, sem precisar pagar pelos 500Hz.
O Odyssey 3D não é a escolha racional pra quem só quer o melhor monitor de FPS pelo preço. É pra quem já tem PC de ponta e quer experimentar uma tecnologia que nenhum concorrente mainstream está oferecendo agora.
O Odyssey OLED G9 pede setup construído em volta de uma única tela central, sem duplo monitor, e exige placa de vídeo de ponta pra sustentar 240Hz nessa resolução horizontal. Não é hardware pra acompanhar uma RTX de entrada.
O Veredito Geek
Não existe um “melhor Odyssey” sozinho nessa lista, porque cada modelo resolve um problema diferente. Se o orçamento permite só um salto por vez, o caminho mais lógico é decidir primeiro entre resolução (QHD direto no G5) e tecnologia de painel (OLED no G5 OLED), e só depois subir pra taxa de atualização extrema, 3D sem óculos ou tela ultra-wide, dependendo de qual desses recursos realmente muda alguma coisa no seu jogo do dia a dia.
Configure o seu setup, sente na cadeira certa e domine o jogo.
O veredito está dado!
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